- Autor
- Erika Bataglia da Costa
- Revista
- Argumentos - Revista de Filosofia
- Edição
- 3
- Ano
- 2010
- DOI
- 10.36517/Argumentos.2.3.18962
- Idioma
- pt
Diante da degradação política democrática, Platão se propõe a conversão da política em tékhne. Trata-se de submeter o Estado ao império da theoria que desvela os fundamentos do cosmos, e, portanto, da própria possibilidade da sociedade e do Estado. Com isso asseguram-se os vínculos do estadista a um absoluto axial e epistêmico capaz de tornar exclusiva a uma elite espiritual a prática do poder. Desse modo, é satisfeita a exigência de domínio competente e universalmente fundado que caracteriza a noção de tékhne. No entanto, concomitantemente à restrição quanto à extensão da atividade política, ocorre também um aprofundamento dos seus pressupostos cuja explicitação depende de uma ascensão dialética inspirada pelo erotismo filosófico, entendido enquanto evasão do soma que torna possível a intuição noética.
