- Autor
- Renato dos Santos
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 12 / 2
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.31977/grirfi.v12i2.660
- Páginas
- 196-212
- Idioma
- pt
O objetivo desse artigo é mostrar como a questão da intersubjetividade é pensada por Merleau-Ponty em termos de percepção do outro. Todavia, para que isso seja possível, se faz necessário, primeiramente, contrapor as concepções clássicas da percepção, as quais trataram o fenômeno da percepção ora como um ato da consciência, ora como uma mera ferramenta do corpo. Para Merleau-Ponty, inversamente, a percepção é para nós a fonte da inteligibilidade, é ela a condição de possibilidade para a estruturação do conhecimento. Ademais, para que a existência do outro não se reduza à uma mera projeção do meu pensamento, se faz necessário que concebamos a subjetividade não mais em termos cartesianos, como uma substância (res cogitans), que constrói o exterior com o seu poder de julgar. Mas sim como uma subjetividade corpórea, enraizada no mundo, e que a consciência deixe de ter o estatuto de constituição do objeto e passe a ser consciência perceptiva. Somente assim, portanto, outrem poderá figurar-se em minha percepção, porquanto minha percepção nunca esgota o percebido.
