- Autor
- SILVIA SAVIANO SAMPAIO
- Orientador(a)
- MARIA LÚCIA MELLO E OLIVEIRA CACCIOLA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
A dissertação procura acompanhar o movimento de constituição do sujeito na filosofia de Kierkegaard. Esta preocupação, que consideramos central na sua filosofia, é dominada pela discussão com as principais correntes filosóficas da sua época, na primeira metade do século XIX, e com as idéias de pensadores essenciais da tradiçao filosófica : Sócrates, Aristóteles, Leibniz. Kant, Hegel, Trendelenburg. Partindo da questão da passagem do domínio do sensível para o supra-sensível colocada por Kant na Crítica da Faculdade de Julgar, Kierkegaard elabora sua resposta original : o sujeito existencial é o lugar dessa passagem, que só pode ter lugar no estágio ético-religioso através do salto da fé. Passagem que é sempre arriscada, paradoxal, incerta, e diz respeito à relação do Indivíduo com o Inteiramente Outro. Relação indivizível, que abole qualquer pretensão de certeza e, ao mesmo tempo significa, com o silêncio ético-religioso, o limite da filosofia. Procuramos preservar o caráter distintivo da filosofia de Kierkegaard: caráter conflituoso, avesso ao Sistema, que se evidencia na sua linguagem irônica, na utilização de vários pseudônimos, que, mais do que esconder servem para nos desvelar as várias faces do filósofo dinamarquês. Sua filosofia que se situa entre a lógica e a imediatidade, procura apropriar-se da existência elaborando conceitos como: angústia, desespero, de grande influência na tradição filosófica do século XX. A categoria do Indivíduo, considerada uma categoria central na sua filosofia, que ele opõe à massa, ao número ao anonimato, ao rebanho, permite que Kierkegaard avance uma crítica à sociedade dinamarquesa da época, que em muitos aspectos prenuncia as críticas de Nietzsche e Freud.
