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Teses

A temporalidade da presença. A elaboração heideggeriana do conceito de tempo.

RENATO KIRCHNER

Tese
Autor
RENATO KIRCHNER
Orientador(a)
GILVAN LUIZ FOGEL
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2007
2007RENATO KIRCHNER. A temporalidade da presença. A elaboração heideggeriana do conceito de tempo.. 2007. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): GILVAN LUIZ FOGEL.2

Esta investigação baseia-se na obra de Martin Heidegger. Tem o propósito de ver e entender como este pensador elabora seu próprio conceito de tempo a partir de uma interpretação peculiar da presença humana (menschliche Dasein), tendo em vista, também, a elaboração de uma ontologia fundamental. A tematização heideggeriana revela que o tempo não é nem objetivo, nem subjetivo. Sua tematização do tempo é uma tematização ontológica, razão pela qual está relacionada com a questão pelo sentido do ser. Tendo a hermenêutica fenomenológica como método de investigação, Heidegger mostra que o tempo """"cada vez e sempre já"""" """"se dá"""" enquanto modos próprios ou impróprios de temporalização. Na elaboração do conceito de tempo é preciso ver e entender """"como"""" ele fundamenta e descreve a temporalidade originária, a ocupação cotidiana do tempo e a origem do conceito vulgar de tempo. A interpretação vulgar do tempo encobre a constituição ekstática e horizontal da temporalidade originária e, desse modo, tende a permanecer nivelada por esse encobrimento. Do ponto de vista do percurso e da estrutura, esta investigação norteia-se pela analítica existencial e temporal realizada em Ser e tempo e em algumas obras da juventude. O trabalho é composto de três capítulos: 1) As primeiras elaborações heideggerianas do conceito de tempo, 2) As estruturas fundamentais do modo de ser da presença, 3) A temporalidade como sentido ontológico da cura. Pelo encaminhamento dado ao longo dos capítulos, caminha-se num sentido inverso ao proposto pelo título. Parte-se do subtítulo, """"A elaboração heideggeriana do conceito de tempo"""", em direção ao título, """"A temporalidade da presença"""". Entendemos que o contrário não seria possível, uma vez que, para ver e entender como Heidegger elabora seu conceito de tempo, enquanto temporalidade originária da presença, pressuposto está o caminho percorrido na analítica existencial. Desse modo, o primeiro capítulo assume a tarefa de visualizar a tematização do tempo na aula de habilitação, em Friburgo (1915), e na conferência de Marburgo (1924). O segundo e terceiro capítulos, tendo por guia Ser e tempo e Os problemas fundamentais da fenomenologia, objetivam, de um lado, apresentar as estruturas fundamentais do modo de ser da presença (analítica existencial) e, de outro, a partir dos modos de temporalização do tempo, evidenciar a temporalidade como sentido ontológico da cura (analítica temporal). Assim, deve-se mostrar que a temporalidade mesma é uma explicitação de três teses que perpassam Ser e tempo: a """"essência"""" da presença revela-se como existência, a cura mostra-se como ser da presença, a temporalidade estrutura-se como sentido ontológico da cura. Este trabalho objetiva mostrar o significado fenomenológico dessas teses a partir da análise do fenômeno do tempo.