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A teodiceia de Kant em À paz perpétua

Bruno Cunha

Autor
Bruno Cunha
Revista
Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade
Edição
30 / 3
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.2318-9800.v30i3p41-58
Páginas
41-58
Idioma
pt-BR
2025Bruno Cunha. A teodiceia de Kant em À paz perpétua. Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade, v. 30, n. 3, p. 41-58, 2025.4

O problema da teodiceia tem uma função central na sistemática da filosofia de Kant, uma vez que seu aspecto essencial, a saber, o problema da “contrariedade de fins” está no núcleo do problema do sumo bem. Se isso está correto, pode-se dizer que a teodiceia perpassa direta e indiretamente todos os níveis do pensamento kantiano. Meu propósito nesse artigo é apresentar, de acordo com essa hipótese, uma tentativa de interpretação da filosofia da história de Kant sob o ponto de vista da teodiceia. Tento mostrar como os dois primeiros tipos de contradição da teodiceia, referentes ao mal físico e ao mal moral, podem ser considerados como “meios” pelos quais a “natureza” ou, nas palavras de Kant, a “providência” promove tanto o progresso cultural da humanidade, quanto o progresso de suas instituições jurídico-políticas. Como resultado de minha análise, sugiro que a solução dos dois primeiros níveis de contradição na teodiceia, abordada no âmbito de uma filosofia da história, abre espaço para a solução do terceiro nível de contradições no âmbito da filosofia da religião.