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A tirania da maioria: revisitando o debate

Marta Nunes da Costa

Autor
Marta Nunes da Costa
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
60 / 1
Ano
2015
DOI
10.15448/1984-6746.2015.1.16329
Páginas
92-105
Idioma
pt
2015Marta Nunes da Costa. A tirania da maioria: revisitando o debate. Veritas (Porto Alegre), v. 60, n. 1, p. 92-105, 2015.1

Tocqueville e John Stuart Mill são dois dos grandes mestresde ciência política e filosofia política. Com efeito, poderíamos dizer quesomos todos discípulos destes autores. Por um lado, porque Tocquevillefoi o primeiro autor a refletir sobre o paradigma democrático, entendidocomo constelação política especificamente moderna. Por outro lado, oconceito ou ideal de liberdade desempenha um papel central nos doisautores. Liberdade é um dos pilares fundadores de qualquer projetodemocrático e apesar do reconhecimento da importância igualmentevital do conceito de igualdade, que se vem afirmando como condiçãonecessária para o desenvolvimento politico na era de Tocqueville e de Mill, a liberdade permanece central nas suas preocupações. Neste artigo irei revisitar os argumentos avançados pelos autores, argumentos estes que nos alertam para os perigos da democracia, e mais precisamente, a tirania da maioria. Começarei por retratar o contexto das obras de Democracia na América de Tocqueville e Sobre a Liberdade de Mill. De seguida, ofereço uma reflexão sobre as implicações da tirania da maioria hoje. Por fim, proponho um conjunto de medidas que nos poderão ajudar a contrabalançar as tendências antidemocráticas das democracias contemporâneas.