- Autor
- MARISA DA SILVA LOPES
- Orientador(a)
- LUIZ HENRIQUE LOPES DOS SANTOS
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
Para Aristóteles, a felicidade propriamente humana (eudaimonia) é a realização bem-sucedida da natureza humana, a de animal político racional. O homem pode deixar-se dominar por seus apetites e viver uma vida bestial; ou exercer eticamente sua razão e viver numa comunidade organizada segundo a justiça - a cidade. A cidade, ao tomar para si a tarefa de educar, ética e intelectualmente, seus cidadãos, semeia neles o hábito de agir em vista do que é nobre e bom para a cidade e, conseqüentemente, do que é nobre e bom para seus concidadãos. Isso porque, a educação incide, sobretudo, no desejo. Segundo Aristóteles, esse é o ideal de virtude, tanto individual quanto dos homens tomados coletivamente enquanto corpo político. Os homens tomados coletivamente estarão unidos pela amizade política, na medida em que são unânimes em relação ao fim visado. O exercício da cidadania tem em vista a totalidade da cidade. O critério da distribuição das magistraturas não se limita a perspectivas parciais, como são as dos que pretendem que o poder seja exercido ou pelos bem nascidos, ou pelos ricos, ou pelos muitos, ou, ainda, pelos virtuosos. A constituição desejada por Aristóteles é aquela em que a lei é soberana e tem por finalidade o bem da cidade e o bem humano.
