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AGONÍSTICA E PALAVRA

Guilherme Castelo Branco

Autor
Guilherme Castelo Branco
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
23 / 32
Ano
2011
DOI
10.7213/rfa.v23i32.1765
Páginas
145-155
Idioma
pt
2011Guilherme Castelo Branco. AGONÍSTICA E PALAVRA. Revista de Filosofia Aurora, v. 23, n. 32, p. 145-155, 2011.1

Partiremos da hipótese de que a filosofia não nasceu sob o signo da pacificação nem se desenvolveu em um mundo social regido pelo consenso. Oriunda de uma precária e frágil experiência democrática na Grécia Antiga, a tarefa maior da filosofia, desde sua origem, foi a de buscar constituir argumentos consistentes do ponto de vista da lógica do discurso e que fossem socialmente aceitos. Como pensamento e luta estão juntos, decorre disso que inexiste filosofia sem beligerância, sem rivalidade, sem disputa. O inimigo maior da filosofia, assim, não é a luta argumentativa, nem o combate teórico, tampouco o adversário da filosofia é a doxa. Nosso maior adversário não é da ordem do pensamento, em que existe e deve existir certo grau de tolerância e rivalidade entre distintos modos de perceber as coisas. A agonística entre ideias diferentes não é a verdadeira inimiga da filosofia, mas o lugar natural de seu exercício.