Voltar para Artigos
Artigos

AINDA SOBRE O CETICISMO SEMÂNTICO

André Klaudat

Autor
André Klaudat
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
42 / 1
Ano
1997
DOI
10.15448/1984-6746.1997.1.35645
Páginas
49-69
Idioma
pt
1997André Klaudat. AINDA SOBRE O CETICISMO SEMÂNTICO. Veritas (Porto Alegre), v. 42, n. 1, p. 49-69, 1997.1

O ceticismo semântico é uma posição filosófica que nega que regras, por si mesmas, podem determinar o que deve ser feito. A solução para o problema de explicar como afinal é possível a existência do significado linguístico é dada através de comunidades de falantes. Kripke defende esta visão das coisas, especialmente com relação às reflexões de Wittgenstein sobre o assunto. Eu argumento, em primeiro lugar, que o ceticismo semântico é uma posição equivocada por não entender bem um ponto central do problema, que foi esclarecido por Wittgenstein: regras e aplicações corretas das mesmas estão relacionadas internamente. Entender bem isso requer, no entanto, clareza sobre o que é uma regra. Contra Malcolm procuro mostrar, num segundo momento, a importância que tem em Wittgenstein a concepção dinâmica das regras: só será uma regra e uma formulação· da mesma o que funcionar como guia, como padrão, como critério, num conjunto de práticas e técnicas. Conceber regras desta maneira permite que se compreenda o que é ver a linguagem de uma maneira normativista. Ao final, procuro esclarecer melhor como as regras têm força normativa dentro de práticas e técnicas que supõem, sem embargo, condições de normalidade. Argumento, contudo, que estas condições não são o que dá força às regras tout court.