Amor, desejo e amizade: um estudo sobre a natureza do Amor na Suma Teológica de Sto. Tomás de Aquino
Antônio Augusto Caldasso Couto
- Autor
- Antônio Augusto Caldasso Couto
- Orientador(a)
- Jose Alexandre Durry Guerzoni
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
Resumo: A tese consiste num estudo sobre a natureza do amor humano num conjunto de três questões - q.26, 27 e 28 - da prima secundae da Suma Teológica (ST) de Sto. Tomás de Aquino. Nesse conjunto de três questões, analisamos três diferentes caracterizações do amor e as relações que elas mantêm entre si. A primeira é uma caracterização propriamente aristotélica que, seguindo à tripla divisão do apetite, resulta numa tripla divisão do amor: amor natural, amor sensitivo e amor intelectivo. A segunda é pré-escolástica, mas extraída por Aquino de uma fórmula aristotélica, “amar é querer o bem a alguém”, que resulta numa dupla divisão do amor: amor de concupiscência e amor de amizade. A terceira é derivada da patrística grega, originária da obra de Pseudo Dionísio Areopagita: “amor é força unitiva”. No tocante à tripla divisão, examinamos o vocabulário herdado da física e da psicologia aristotélica – movimento, mudança, ato, paixão e hábito –, assim como a tensão entre a caracterização geral do amor como paixão e a caracterização do amor intelectivo como um ato livre de amor. No tocante à dupla divisão medieval examinamos a distinção entre amor e amizade que surge da análise dos quatro nomes latinos utilizados pelos medievais utilizados para significar o amor – amor, dilectio, amicitia e caritas - e examinamos também a sua relação com a divisão aristotélica da amizade segundo os três tipos de bens: amizade do útil, amizade do prazer e amizade da virtude. Quanto à caracterização herdada de Pseudo-Dionísio Areopagita, “o amor é força unitiva” nos valemos de sua análise para entender a tensão entre a tese aristotélica da philautia, segundo a qual o amor por outro deriva do amor de si, e a conclusão de que amar verdadeiramente é amar ao outro por ele mesmo, o que nos propicia um certo entendimento da máxima de Jesus “ama ao próximo como a ti mesmo”.... Palavras-chave: Filosofia medieval, Filosofia antiga, metafísica, psicologia, ética, teoria das paixões, teoria das virtudes, amor, amizade, desejo.
