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Ancestralidade por vir

Alexandre de Oliveira Fernandes

Autor
Alexandre de Oliveira Fernandes
Revista
Revista Enunciação
Edição
5 / 2
Ano
2023
DOI
10.61378/enun.v5i2.108
Idioma
pt-BR
2023Alexandre de Oliveira Fernandes. Ancestralidade por vir. Revista Enunciação, v. 5, n. 2, 2023.2

A presente leitura pós-colonial acerca de um grito de uma mulher negra que irrompe em uma missa no Senegal permite-me argumentar em torno de uma “identificação de ancestralidade”. O grito ora em tela, desloca a ancestralidade, sem reunião possível, que não seja contextual e contingente. Não evoca um desaparecimento da ancestralidade, mas sua postergação, nem para frente, nem para trás. Focando no porvir ancestral, em uma  ancestralidade por vir, o presente artigo reflete o acontecimento e a maquinaria em torno daquele grito: nem “o” primeiro nem “o” último, sempre o “penúltimo” grito. Para além da obviedade do som, aquele grito funciona como um arquivo, cujo corpus é capaz de “consignar”, ou seja, reunir signos voláteis, embaraçosos e delicados, marcados por fronteiras, borraduras e traumas. Denota que a Ancestralidade, compreendida na chave da Ordem e da Metafisica da Presença não está assegurada.