Voltar para Artigos
Artigos

Andrew Feenberg e a bidimensionalidade da tecnologia

Wendell Evangelista Soares Lopes

Autor
Wendell Evangelista Soares Lopes
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
27 / 40
Ano
2015
DOI
10.7213/aurora.27.040.DS05
Páginas
111-142
Idioma
pt
2015Wendell Evangelista Soares Lopes. Andrew Feenberg e a bidimensionalidade da tecnologia. Revista de Filosofia Aurora, v. 27, n. 40, p. 111-142, 2015.1

O presente ensaio analisa criticamente a principal tese de Feenberg sobre a natureza da tecnologia: sua bidimensionalidade. Consideramos primeiro o desenvolvimento da teoria crítica da tecnologia em Feenberg; como, a partir do abandono das noções heideggeriana e positivista de tecnologia, o autor encara o que ele acredita ser o verdadeiro mundo da tecnologia em seu vir a ser, enquanto intrinsecamente relacionada com o social. Nisso, ele se aproxima da tradição da Teoria Crítica, especialmente de Marcuse, de quem foi aluno. Entretanto, trata-se, como veremos, de uma apropriação crítica: enquanto Marcuse pensa que essa tecnologia que substituiu a ontologia deu origem a um homem unidimensional, cuja existência é incapaz de ultrapassar sua facticidade com uma mudança qualitativa da realidade na realidade, isto é, uma forma de existência em que a transcendência histórica é atrofiada; Feenberg acredita, por sua vez, que essa tecnologia foi mal concebida em sua essência, uma vez que não se percebeu seu aspecto bidimensional, isto é, o fato de que sendo não apenas um projeto abstrato, mas em si mesmo composto de um momento social contingente, a transcendência histórica é parte inelutável do processo tecnológico como tal. Esse caráter transformador, no interior da tecnologia, é articulado por Feenberg a partir da diferença entre técnica e experiência integrativa, enquanto dois momentos da própria racionalidade tecnológica. Mostramos também como essa bidimensionalidade da tecnologia deve ser entendida de maneira holística e dialética, buscando, por fim, aplicar e testar a teoria crítica de Feenberg a partir do caso que mais goza do apreço do autor, a Internet — tema, inclusive, do último livro editado por ele, junto com Norm Friesen, (Re)Inventing the Internet (2012) —, o que nos permitirá entrar numa discussão final de alguns pontos críticos de sua filosofia da técnica.