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Antiindividualismo e memória: mente, ambiente, contexto e linguagem.

Cesar Schirmer dos Santos

Tese
Autor
Cesar Schirmer dos Santos
Orientador(a)
Alfredo Carlos Storck
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010Cesar Schirmer dos Santos. Antiindividualismo e memória: mente, ambiente, contexto e linguagem.. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Alfredo Carlos Storck.2

Esta tese trata do problema do acesso às lembranças sobre os próprios estados mentais passados a partir do antiindividualismo sobre a mente. No capítulo 1 o problema é apresentado de uma maneira semiinformal, ligando a questão da posse de conceitos a contextos, e são apresentadas as primeiras ferramentas conceituais para a sua solução. O problema é de natureza epistemológica, e se apresenta na análise de atribuições de atitudes proposicionais. Por esse motivo, a primeira ferramenta metodológica é a noção de atitude proposicional como forma lógica interpretada (noção desenvolvida por Richard Larson e Gabriel Segal), a qual é apresentada a partir de bases da semântica formal. O capítulo 2 trata do antiindividualismo. Apresento e distingo as diversas teorias e posições que são tratadas como externismos em filosofia da mente e em epistemologia. Em seguida foco no antiindividualismo de Tyler Burge, e mostro suas diferenças em relação aos externismos de Hilary Putnam. Termino o capítulo com esclarecimentos sobre os experimentos mentais como ferramentas metodológicas. O capítulo 3 trata da memória. Abordo essa capacidade mental a partir da filosofia de Ludwig Wittgenstein, e trato do caráter fundamentalmente reconstrutivo da memória. A partir dos resultados de Sven Bernecker, mostro que a reconstrução não é obstáculo para que haja verdade na memória, e estabeleço novas bases para a análise do nosso problema fundamental, a descrição e a explicação do acesso aos próprios estados mentais passados a partir do antiindividualismo. O capítulo 4 trata da filosofia de Peter Ludlow, pois ele assumiu que se a memória é reconstrutiva, então ou não há verdade na memória, ou o que é verdade muda o tempo todo – essas são suas soluções para o “argumento da memória” de Paul Boghossian. Mostro que essa consequência não segue das premissas, e que outros elementos da filosofia de Ludlow nos permitem tratar da questão de uma maneira mais produtiva, pois ele defende que uma microlíngua se desenvolve em uma conversa, e que o léxico é dinâmico, mas isso não é impedimento para o acesso ao passado, visto que o dinamismo lexical pode dar espaço a reconstruções mnésicas sadias. O capítulo 5 trata da noção de memória preservativa de Tyler Burge. Mostro que essa é uma noção epistemológica que não diz respeito a um tipo de memória, mas sim a um modo de estar legitimado a se apoiar na memória, e que pode haver acesso legitimado à memória mesmo quando há reconstrução mnésica.