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Antônio Paim e a filosofia culturalista

José Maurício de Carvalho

Autor
José Maurício de Carvalho
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
15 / 35
Ano
2024
DOI
10.26694/pensando.vol15i35.5419
Páginas
3-11
Idioma
pt
2024José Maurício de Carvalho. Antônio Paim e a filosofia culturalista. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 15, n. 35, p. 3-11, 2024.2

Queremos começar destacando o trabalho de Antônio Paim como professor e orientador, em razão da sua sensibilidade, humanidade e rara capacidade de tirar dos estudantes o melhor. Quanto ao objeto de suas investigações constatamos muitos temas de interesse. Na Filosofia, destacou-se como historiador das ideias, além de revisar as teses da primeira geração de culturalistas brasileiros e sistematizar uma ontologia culturalista. Nesse processo identificou duas formas basilares de pensar: a platônica-aristotélica, segundo a qual algo subjaz ao que aparece para a consciência, conhecida por metafísica e a transcendental, cuja categoria básica é o fenômeno, isto é, o que há é o que se mostra à consciência, nada permitindo conhecer além dessa aparência. Esses olhares em perspectiva revisam os problemas história afora, renovando a compreensão do mundo. Paim observou que o tema central da filosofia contemporânea é o homem, considerando nuclear entendê-lo em sua dimensão moral naquele sentido proposto por Miguel Reale, o ser do homem é seu dever-ser. E, com base nessas referências, estabeleceu as bases filosóficas do culturalismo. Nessa filosofia, a sociedade é o lugar da realização da pessoa humana identificada pelo exercício da liberdade, do aperfeiçoamento contínuo e responsabilidade moral. Essa sociedade é histórica, preservada a tradição kantiana. Desse modo, acomodou o culturalismo numa metodologia de investigação, estabeleceu as bases de uma ontologia transcendental dedicada ao estudo do homem e do papel da moral na cultura.