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Apresentação

Alexandre Leone, André Bueno, Antonio Florentino Neto, José Jorge de Carvalho, Plínio Marcos Tsai

Autor
Alexandre Leone, André Bueno, Antonio Florentino Neto, José Jorge de Carvalho, Plínio Marcos Tsai
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
9 / 20
Ano
2025
Páginas
2-5
Idioma
pt
2025Alexandre Leone, André Bueno, Antonio Florentino Neto, José Jorge de Carvalho, Plínio Marcos Tsai. Apresentação. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 9, n. 20, p. 2-5, 2025.1

Este dossiê reúne um conjunto plural de reflexões críticas em resposta ao artigo de Marco Aurélio Werle, intitulado A especificidade da filosofia ocidental europeia diante da filosofia oriental ou africana, no qual se sustenta que apenas a tradição ocidental europeia teria desenvolvido uma filosofia em sentido pleno. Essa tese, ao postular como critério definidor a inserção numa história crítica e conceitual contínua — conforme o modelo da Wirkungsgeschichte hegeliano-gadameriana —, termina por excluir de forma sistemática as expressões filosóficas de outros contextos culturais e históricos. O dossiê parte da premissa de que essa visão não apenas reduz a filosofia a um cânone autolegitimador, mas também reproduz uma lógica colonial de exclusão epistêmica, ao desautorizar como filosóficos os pensamentos que emergem fora dos moldes e tradições europeias.As contribuições aqui reunidas propõem, em contraposição, uma ampliação crítica da noção de filosofia, que reconheça sua historicidade múltipla, seus modos diversos de constituição e suas articulações possíveis com tradições religiosas, espirituais, poéticas e práticas. Recusando a oposição simplista entre universalidade e particularismo, os textos demonstram que o pensamento sistemático, o rigor conceitual e a crítica reflexiva não são prerrogativas de um único espaço-tempo, mas aparecem sob formas variadas em diferentes culturas e cosmovisões. Em lugar de uma identidade filosófica fixa e normativa, propõe-se pensar a filosofia como campo em disputa, permeado por múltiplas racionalidades e vocações críticas, sempre situado e, ao mesmo tempo, potencialmente universalizante.