- Autor
- Monica Selvatici
- Revista
- Antíteses
- Edição
- 8 / 16
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.5433/1984-3356.2015v8n16p9
- Páginas
- 9-10
- Idioma
- pt
Por muito tempo na historiografia, a formação do cristianismo foi analisada a partir de duas grandes categorias – judaísmo e helenismo – que, relacionadas entre si, teriam criado “a avenida para o cristianismo”, nas palavras de Johann Gustav Droysen em meados do século XIX. Mais recentemente, sabe-se o quão restritivo este tipo de análise é e, neste sentido, um terceiro elemento tem sido trazido para o centro das discussões: o Império Romano ou, mais genericamente, o mundo romano no qual o movimento cristão nasceu – mundo este com sua ordem política muito específica e as questões socioeconômicas e culturais que a ela se relacionam. Aliado a este avanço historiográfico, a contribuição dos estudos antropológicos para a análise da identidade cultural permitiu aos teóricos da identidade pensá-la, atualmente, como algo relacional, fluido e plural ao ponto de se compreender que um mesmo indivíduo ou grupo social possa apresentar múltiplas identidades, dependendo do contexto e das relações nas quais está inserido. O emprego deste novo entendimento da identidade sobre o universo das fontes cristãs produzidas no mundo romano permitiu a observação de variadas formas de manifestação da própria identidade cristã ou, nos termos atuais, das identidades cristãs (no plural). Com o objetivo de ampliar a análise de tais questões, o presente dossiê congrega o trabalho de pesquisadores que discutem esta temática dentro do recorte temporal dos quatro primeiros séculos (sécs. I a IV d.C.) de vida do cristianismo no âmbito do Império Romano.
