- Autor
- Adriana Maria Raposo Italo
- Orientador(a)
- Danilo Marcondes de Souza Filho
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
Minha pesquisa tem por objetivo examinar a suposta distinção entre arte e natureza no interior de uma análise crítica da chamada crise de fundamentos. isto é, a crise do projeto fundacionista moderno, a rejeição pós-moderna a metafísica em geral e a idéia de fundamento em particular, suas relações com as rupturas impostas pelas novas tecnologias e suas consequencias na visão de mundo e de humanidade. Arte e natureza não constituem domínios fundamentalmente distintos, ou ainda, não há heterogeneidade ontológica entre aquilo que se faz por si mesmo (natureza) e aquilo que se fabrica (arte). Com efeito, a enorme dificuldade em determinar e definir precisamente a realidade designada pelo termo natureza levou ao reconhecimento de que a eficácia da idéia de natureza é proporcional a sua imprecisão. A quebra do Tabu do Natural, isto e, a suspensão da crença de que nada do que é tecnicamente fabricado pode igualar-se a essencia dos trabalhos da natureza,significou um convite a reavaliação das fronteiras entre natural e artificial. Do cálculo ao algoritmo, e destes as tecnologias da informação e biotecnologias, metáforas transformaram-se em máquinas e ferramentas, e máquinas em potentes metáforas cujo valor heurístico apresenta-se, em última instancia, na indiscernibilidade entre natureza e cultura. A tecnologia contemporanea revela e disponibiliza a realidade comoartefato. isto é, como arte e fato. Ars gratia artis.
