- Autor
- FERNANDA MACHADO DE BULHOES
- Orientador(a)
- ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Nietzsche vê uma ruptura na história da filosofia: antes e depois de Sócrates. O período arcaico, que corresponde à época trágica dos gregos, séculos VI e V a.C., é considerado o ápice de sua história.Embora distantes do mito, os primeiros filósofos (ainda) não são homens racionais. São intuitivos. Neles, a filosofia não é apenas um discurso teórico, este é o resultado final de um processo que começa na intuição, passa pela imaginação e, por fim, chega à razão.Para Nietzsche, os filósofos arcaicos são """"grandes homens"""" que ensinam o que é a filosofia e quem é o autêntico filósofo. Contemplando-os, ele elabora uma imagem do filósofo arcaico (em oposição ao filósofo socrático). O objetivo desta tese é elucidar os principais traços que compõem esta imagem:uma figura em que se misturam elementos místicos,lógicos e, sobretudo, artísticos. O filósofo arcaico, imaginado por Nietzsche é, antes de tudo, um artista. Não é um cientista, pois não quer e nem acredita em uma verdade racional; nem é um místico que vive envolvido com os Mistérios.Sua relação com a vida e com a filosofia é estética.A arte é a sua verdade e a sua religião.Ele acredita no poder da arte de transformar o cotidiano num acontecimento maravilhoso, exuberante, fantástico.A arte cria imagens, cores, sons, cheiros, sentidos, mundos, multiplica as possibilidades, traz consigo a alegria da criação que torna a vida melhor. O filósofo arcaico ensina que a filosofia é preciosa porque, sendo uma forma de poesia, está a serviço da vida. e a vida, como dizia Heráclito, é uma criança que brinca de construir e destruir castelos à beira mar. a vida é um jogo, vamos jogar?
