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Artificialidade e insuficiência da classificação de Kant quanto aos argumentos teístas

Luís Eduardo Ramos de Souza, Arthur Henrique Soares dos Santos

Autor
Luís Eduardo Ramos de Souza, Arthur Henrique Soares dos Santos
Revista
Aufklärung: journal of philosophy
Edição
11 / 1
Ano
2024
DOI
10.18012/arf.v11i1.67634
Páginas
p.83-98
Idioma
pt
2024Luís Eduardo Ramos de Souza, Arthur Henrique Soares dos Santos. Artificialidade e insuficiência da classificação de Kant quanto aos argumentos teístas. Aufklärung: journal of philosophy, v. 11, n. 1, p. p.83-98, 2024.4

Na Dialética Transcendental, da Crítica da razão pura (1787), Kant defende a impossibilidade dos argumentos teístas, a saber: o ontológico, o cosmológico e o físico-teológico. Contudo, sua objeção depende de sua classificação dos argumentos teístas, a qual recebe críticas de filósofos analíticos da religião como Plantinga (2012) e Swinburne (2019). Por isso, o presente artigo pretende investigar criticamente dois problemas relativos à tal classificação: os critérios sistemáticos de sua classificação e a suficiência histórica das suas três provas teístas. Quanto ao primeiro problema, defender-se-á que é possível reconhecer uma certa artificialidade sistemática na classificação de Kant das provas teístas, tendo em vista as críticas de Strawson (1966) e Hegel (1812, 1830), além da crítica interna desenvolvida pelos autores deste trabalho. Quanto ao segundo problema, argumentar-se-á que é possível indicar-se uma determinada insuficiência histórica na classificação de Kant das três provas teístas, visto a partir das críticas focadas brevemente sobre alguns teólogos clássicos, tais como Anselmo, Aquino e Al-Ghazali. Por fim, uma vez justificado que a objeção de Kant depende de tal classificação possivelmente artificial e insuficiente, será indicado, sucintamente, que Kant não parece tão justo quanto ele pretendia em sua objeção aos argumentos teístas.