- Autor
- ELVIRA MARIA GODINHO DE SEIXAS MACIEL
- Orientador(a)
- ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
Esta tese é um estudo sobre as relações entre a filosofia, a literatura e a medicina moderna. A hipótese defendida é a de que o encontro entre as experiências médica, literária e filosófica se dá no espaço da morte, espaço esse habitado não apenas por conceitos como limite, transgressão e trágico, mas também por formas empíricas tais como corpo, organismo e doença. ..O surgimento da medicina moderna é situado por Michel Foucault, em O nascimento da clínica, no final do século XVIII, início do século XIX, com a sistematização da produção de conhecimento sobre a doença e a vida por meio da dissecção de cadáveres. Segundo Foucault, ao mesmo tempo em que passa a esclarecer fenômenos da vida, a concepção de morte, inaugurada por Bichat, articula-se à linguagem proporcionando uma nova experiência: a literatura. ..Simultaneamente ao nascimento da medicina moderna, destaca-se o conceito kantiano de finitude e o diálogo do Idealismo Alemão com a filosofia de Kant. Considerando a trajetória de Hölderlin - filósofo, poeta e louco - com relação ao pensamento idealista da transposição da finitude humana, coube-lhe papel de destaque no desenvolvimento do trabalho. Maurice Blanchot, pelo modo como problematiza a relação entre a literatura, a linguagem e a morte, é a principal referência no estudo da experiência literária. ..A pergunta a que pretendo responder é: Como se produz, a partir desses acontecimentos, o cruzamento entre a medicina, a filosofia e a literatura? Assim, a morte, uma experiência possível, quando objeto empírico cujas causas e fenômenos podem ser observados no corpo do outro e, ao mesmo tempo, impossível, se pensada como experiência própria reúne, em sua duplicidade, as experiências médica, literária e o pensamento da finitude. Defendo, portanto, uma duplicidade da morte.
