As influências celestes e a revolução científica: a astrologia em debate na Inglaterra do século XVII
Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira
- Autor
- Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira
- Orientador(a)
- Roberto de Andrade Martins
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2005
Na filosofia da ciência, os estudos sobre a Revolução Científica geralmente se concentram sobre áreas como a física e a astronomia, e verificam a existência de uma nova racionalidade. Nesta tese propusemos estender esses estudos para outras áreas, olhando como a situação se descortinava do ponto de vista da astrologia. Embora fosse longa a tradição de questionamentos à astrologia, a aceitação da existência de influências celestes era praticamente unânime no início do século XVII. Durante este século, a astrologia se popularizou na Inglaterra com a publicação de grande volume de trabalhos em linguagem vernacular. Os almanaques se tornaram sucesso de venda. A astrologia, no entanto, parecia perder prestígio no meio intelectual. Este curioso processo coincidiu com o estabelecimento e a fundação da Royal Society e a consolidação de uma “nova astronomia”. Eram recentes várias descobertas astronômicas importantes e nessa época também começaram a ser aceitas com mais intensidade as idéias de Copérnico. Esta pesquisa propôs investigar justamente essa situação peculiar da astrologia no contexto científico, filosófico, cultural e religioso da Inglaterra do século XVII. Uma nova realidade se mostrava à astrologia: popularização e, ao mesmo tempo, perda de prestígio no mundo intelectual. Embora o contexto histórico no qual a astrologia inglesa se desenvolvia fosse formado por esses ingredientes que poderiam, e muito, em princípio, colaborar para que ela fosse ainda mais questionada, verificamos que os argumentos contrários à astrologia continuaram a ser essencialmente os tradicionais. Pouca ou nenhuma discussão foi motivada pelas novas idéias e descobertas da astronomia. A Royal Society não se dedicou a estudar a astrologia nem ao menos com a intenção de refutá-la. E os astrólogos que na época propuseram “reformas” para a astrologia estavam essencialmente preocupados com dificuldades internas de sua área, e não exatamente reagiam a pressões externas.
