As paixões alegres como caminho para uma afetividade ativa
Flavio Freitas, Zilmara de Jesus Viana de Carvalho, Isnara Frazão
- Autor
- Flavio Freitas, Zilmara de Jesus Viana de Carvalho, Isnara Frazão
- Revista
- Revista Conatus - Filosofia de Spinoza (ISSN 1981-7509)
- Edição
- 17 / 28
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.52521/conatus.v17i28.16001
- Páginas
- 35-45
- Idioma
- pt
O objetivo do presente trabalho consiste em apresentar o problema das paixões alegres em Espinosa a partir da leitura proposta por Gilles Deleuze. Para o aprimoramento deste trabalho, adotou-se o método de análise textual, tendo como principais referências a obra-prima de Espinosa Ética demonstrada segundo a ordem geométrica, bem como Espinosa: Filosofia Prática (1972) e Espinosa e o problema da expressão (1968), importantes trabalhos de Gilles Deleuze sobre a filosofia Espinosana. Nosso primeiro objetivo consiste em explicitar o conceito de paixão, conforme apresentado no livro III da Ética. As paixões derivam exclusivamente de ideias confusas, nas quais o corpo padece pela ação de algo externo, podendo, assim, experimentar tanto um aumento da potência de agir (alegria) quanto sua diminuição (tristeza). Portanto, no âmbito das paixões — isto é, dos afetos dos quais não somos causa —, podemos experimentar paixões tristes mas também paixões alegres. Em seguida, buscaremos localizar o problema das paixões alegres na gnosiologia Espinosana, evidenciando a relação entre teoria do conhecimento e vivência afetiva. Por fim, apresentaremos a relevância das paixões alegres na passagem para uma afetividade ativa. Contudo, Espinosa busca compreender as paixões humanas de modo que estas não suscitem tristeza nem se oponham a razão, nessa direção, Deleuze nos indica a potencialidade das alegrias passivas como afirmativas da vida e ponto de partida para a construção de afetos ativos.
