- Autor
- Rosalie Helena de Souza Pereira
- Orientador(a)
- Francisco Benjamin de Souza Netto
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2008
Nossa tese apresenta um ângulo da leitura aristotélica que, no Comentário sobre A República,.Averróis faz dessa obra de Platão. Nessa leitura evidencia-se a transformação do filósofo-rei.platônico no phrónimos aristotélico. Nossa interpretação se baseia na versão latina dessa obra de.Averróis, realizada no século XV por Elia del Medigo. No Livro II desse tratado, há uma passagem.em que é dito que o soberano deve ser “sábio segundo a ciência prática e, com isso, ter o mérito da.virtude cogitativa”. Distinguem-se, nessa frase, a ética de Aristóteles como ciência prática e a.virtude cogitativa (phrónesis), essencial para o desempenho virtuoso do soberano. Isso corrobora o.que Averróis afirma no Comentário Médio à Ética Nicomaquéia: “a prudência e a arte de governar.as cidades são um único campo de investigação (subiecto)”. Desse modo, a arte de governar tem.dois lados, o teórico e o prático, ou seja, a ética e a política. Depois de apresentarmos a primeira.parte, essencial para a contextualização histórica da obra, nossa análise se debruça sobre um estudo.da “virtude cogitativa” e a identifica com a prudência ou sabedoria prática, a phrónesis aristotélica..Em razão da metodologia adotada por Averróis e das críticas que ele tece à sociedade de seu tempo,.esse tratado configura-se mais como uma obra original que propriamente um comentário nos.moldes tradicionais de seus comentários à obra de Aristóteles.
