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Bárbaros voluntários: Rousseau e a antropologia anarquista

Mauro Dela Bandera

Autor
Mauro Dela Bandera
Revista
ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
Edição
22 / 2
Ano
2023
DOI
10.5007/1677-2954.2023.e94956
Páginas
874-899
Idioma
pt
2023Mauro Dela Bandera. Bárbaros voluntários: Rousseau e a antropologia anarquista. ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy, v. 22, n. 2, p. 874-899, 2023.2

No Discurso sobre a desigualdade, Rousseau sugere uma contra história política que caminha paralelamente à grande narrativa da queda, uma história não entrópica ou de entropia mínima, na qual se desenha uma espécie de política selvagem praticada por povos que escolhem manter seu modo de vida e diz respeito a um desejo político consciente de não se converter em sociedades policiadas. Assim, se certos povos não chegaram a possuir Estado, não foi por incapacidade, atraso, inferioridade cultural, mas simplesmente porque não tinham necessidade, tampouco desejo dele. Ao contrário do que se poderia imaginar, não se trata aqui simplesmente de puros primitivos recusando instintiva e obstinadamente o universo civilizacional, mas sim de bárbaros voluntários com seu engajamento político constante e consciente de evitamento, de esquiva e de não assimilação.