- Autor
- Noêmia de Sousa Chaves
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 2 / 15
- Ano
- 2009
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v2i15p105-122
- Páginas
- 105-122
- Idioma
- pt
A temática da morte parece mais central na vida humana que a própria vida, e isto se justifica pelo medo herdado da tradição cristã por um lado e da teoria da evolução por outro. Amiúde, este medo pode criar a ilusão de que a morte é um alívio ao sofrimento humano, como se o sofrer fosse intrínseco ao fato da morte. Diante disso, o objetivo deste artigo é demonstrar que a morte e o sofrimento humano não caminham necessariamente juntos e que muito do sofrimento humano recai em questões políticas. Desse modo, pode-se perguntar: com que tipo de morte e sofrimento os seres humanos estão lidando, o físico ou o moral? A fim de refletir acerca destas questões, num primeiro momento, será estabelecido sobre qual tipo de morte recai a discussão bioética; em seguida, far-se-á a distinção entre morte e sofrimento humano; em terceiro lugar, apresentar-se-á sucintamente o posicionamento acerca da eutanásia na perspectiva de Engelhardt Jr. e de Jean-Frederic Poisson e, por fim, demonstrar-se-á a relação entre escolha e conhecimento. A tessitura desta discussão tem como finalidade pensar, antes da morte, a vida, mas uma vida política.
