- Autor
- Anna Maria Lorenzoni
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 21
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.30611/2021n21id70891
- Páginas
- 24-36
- Idioma
- pt
No presente artigo, busca-se fazer uma breve reconstrução dos percursos históricos e teóricos que permitiram o acolhimento e a apropriação de conceitos fundamentais da filosofia blochiana no interior das inquietações sociais latino-americanas, bem como destacar as particularidades das interpretações difundidas no Brasil. Tendo como fio condutor a busca dos elementos éticos da filosofia blochiana, o percurso se inicia com uma contraposição entre as literaturas secundárias a respeito do autor disponíveis no Brasil e na Alemanha. A ambiguidade entre a manifesta importância dos pressupostos éticos da filosofia da esperança enfatizada pelos comentadores brasileiros contraposta ao papel secundário atribuídos pelos comentadores alemães é, então, explorada a partir de um rastreamento dos caminhos que trouxeram a filosofia blochiana até o continente latino-americano. A despeito do ateísmo do filósofo alemão, na América Latina, a filosofia da esperança aliou-se à “herética” teologia da libertação, sendo essa a sua porta de entrada principal. Aqui, a filosofia de Bloch se confunde e entrecruza com a própria história do marxismo e do cristianismo no continente, repercutindo na originalidade dos movimentos sociais e das bases éticas que os orientam. A utopia, tal qual concebida pelo autor, revela-se como ponto de encontro fundamental entre a fé e a política.
