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BODIN, O “LIVRE-SUJEITO” E A CIDADANIA MODERNA

Diogo Pires Aurélio

Autor
Diogo Pires Aurélio
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 43
Ano
2021
DOI
10.13102/ideac.v1i43.7234
Páginas
191-210
Idioma
pt
2021Diogo Pires Aurélio. BODIN, O “LIVRE-SUJEITO” E A CIDADANIA MODERNA. Revista Ideação, v. 1, n. 43, p. 191-210, 2021.1

Bodin figura nas histórias do pensamento político, quase exclusivamente, como teorizador da soberania. Há, no entanto, um outro conceito, que faz igualmente parte da sua arquitetura teórica e que não tem menor projeção nos tempos modernos: o conceito de cidadão. Bodin define este último de modo algo insólito, apresentando-o como franc-sujet, isto é, como indivíduo a quem o poder atribui privilégios que o tornam simultaneamente livre e súbdito. Com esse estranho conceito, nascido no clima de guerra que alastrou a seguir à fragmentação religiosa da Europa, Bodin visa um compromisso entre, por um lado, a paz e a tolerância, que só a nova ordem política – o estado soberano – pode assegurar, e, por outro lado, a liberdade dos indivíduos e dos grupos, que ela pode fazer perigar. O presente artigo pretende analisar esse aparente paradoxo, evidenciando a originalidade e a fecundidade de uma definição como a que apresenta Bodin, em confronto com as que se conhecem de Aristóteles, Hobbes e Rousseau.