- Autor
- Felipe Alves
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i2.5846
- Páginas
- 278-291
- Idioma
- pt
O texto examina a crítica de Schmitt ao parlamentarismo no contexto do que ele chamou de “marcha triunfal” da democracia. O objetivo é destacar a distinção conceitual entre liberalismo e democracia desenvolvida pelo autor na década de 1920, como ponto de partida para compreender seu decisionismo. Busca-se argumentar que enquanto o primeiro se fundamenta e tem como princípio estruturante a crença na discussão pública, a democracia se ancora sobretudo no princípio de identidade entre governantes e governados. Partindo dessa distinção, Schmitt pode redefinir a democracia para além de sua identificação com formas institucionais específicas, indo além do caráter formal e abstrato e da ausência de critérios substantivos de legitimidade, que marcaram a visão equivocada de associar democracia e liberalismo. Desse modo, a democracia de massas opera como um princípio vazio de legitimação, capaz de sustentar formas políticas diversas e até contrastantes, abrindo espaço para sua compatibilidade com modos intensificados de tomada de decisão.
