- Autor
- Marcelo de Sant’Anna Alves Primo
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 1 / 1
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2023v1nesp1p166-179
- Páginas
- 166-179
- Idioma
- pt
Aconselhado por André Breton, Jean-Jacques Pauvert descobriu e teve vontade de publicar a obra de Sade, pois a leitura dos escritos do marquês era de difícil acesso e as únicas edições disponíveis eram clandestinas. Entendendo que Sade possui lugar único na literatura, Pauvert toma à frente da edição de suas obras completas a fim de torna-las acessíveis com o nome do autor estampado, tirando-o da clandestinidade. Contudo, é intimado a comparecer e depor na Justiça Francesa para responder a um processo de atentado contra a moral e, em sua defesa, testemunhos como os de Breton, Bataille, Paulhan e do próprio Breton mostraram a relevância da obra de Sade para um conhecimento mais apurado do corpo e da condição humana. Nesse sentido, tentaremos mostrar que o L’Affaire Sade aponta para um dilema ainda bem atual: a censura e cancelamento de obras que sequer foram lidas, porém, condenadas sumariamente por julgamentos moralistas a priori.
