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Teses

Charles Taylor: para uma ética do reconhecimento

Paulo Roberto Monteiro de Araujo

Tese
Autor
Paulo Roberto Monteiro de Araujo
Orientador(a)
Marcos Lutz Müller
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2003
2003Paulo Roberto Monteiro de Araujo. Charles Taylor: para uma ética do reconhecimento. 2003. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): Marcos Lutz Müller.2

A filosofia política encontra-se cada vez mais num impasse: como buscar um conjunto de fundamentações teóricas que possibilitem novas práticas racionais no campo das instituições jurídicas e políticas, que ajudem, ao mesmo tempo, a compreender e a apontar soluções para os conflitos, velados ou não, entre os diversos modos de viver dos grupos humanos que co-habitam o interior das sociedades contemporâneas? ..As soluções encontradas sejam através do pensamento habermasiano, sejam através dos liberais norte-americanos, como John Rawls, ou ainda, aquelas desenvolvidas por práticas utilitaristas dos Estados, principalmente do Atlântico Norte, que se limitam a desenvolver formas de bem-estar social, estão aquém daquilo que pede o problema. ..O que está em jogo nos conflitos entre os grupos humanos não é a sua superação por meio de formas racionais homogêneas que nivelam as diferenças entre os grupos humanos, mas sim o reconhecimento das suas identidades culturais como formas distintas de viver no mundo. Deste modo, qualquer teoria política que não reconheça as diferenças do viver humano está fadada a cair nas ilusões do intelectualismo ingênuo, fechado em si mesmo (self-enclosed), como diz Taylor. ..Não é por acaso o debate travado hoje entre as correntes da filosofia política chamadas de liberais (ou libertárias) e comunitárias (ou comunitaristas). Teorias nascidas no mundo anglo-saxão, elas têm como representantes figuras de peso como John Rawls, Ronald Dworkin, considerados liberais, e Alasdair MacIntyre, Michael Sandel, Charles Taylor, considerados comunitários. A crítica que os últimos fazem aos primeiros tem como ponto de partida a estrutura teórica destes originada no conceito auto-fundante do sujeito racionalmente autônomo. No entanto, a análise crítica mais contundente e sistematizada, entre os comunitários, às teorias liberais é a de Michael Sandel, cujo livro Liberalism and the Limits of Justice tem como alvo a teoria da justiça como equidade de John Rawls.

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