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CINEMA E CLICHÊ. O NIILISMO NA IMAGEM

RODRIGO GUÉRON

Tese
Autor
RODRIGO GUÉRON
Orientador(a)
ROSA MARIA DIAS
Universidade
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO — UERJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2004
2004RODRIGO GUÉRON. CINEMA E CLICHÊ. O NIILISMO NA IMAGEM. 2004. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): ROSA MARIA DIAS.2

O objetivo desta tese é investigar e descrever o clichê no cinema como uma expressão do niilismo na imagem. Desconstruímos a idéia de que a imagem seria, em si mesma, uma inimiga do pensamento, e de que vivemos numa suposta """"civilização da imagem"""". Diferente disso, a nossa hipótese vê o clichê, como algo que tende a acometer à imagem, funcionando como um agente esvaziador da potência criadora do pensamento: o que chamamos de """"impotência do pensamento"""", o niilismo. .A partir de uma genealogia dos valores filosóficos que levaram a Civilização Ocidental a buscar e inventar um mecanismo como o cinema, vemos que ele surge como uma das mais altas realizações de um processo que Nietzsche identificava como o """"niilismo europeu"""": o cinema como o grande mecanismo para a realização da """"mágica da verdade"""", do """"pseudo- acontecimento da razão"""" na história. Mas vemos também, por outro lado, o cinema se tornando um agente da crise e do movimento de superação deste processo de niilismo. .A partir de uma síntese da definição que Deleuze faz de clichê, um """"esquema sensório- motor"""", recorremos a dois outros filósofos cujas reflexões e descobertas nos servem de base: Nietzsche e Bergson. Em ambos encontramos um estatuto ontológico e um valor dado à imagem que se destacam na história da Filosofia. Nietzsche nos permite aproximar a definição original de clichê a sua definição crítica da """"moral"""": o clichê como uma """"imagem-lei"""". Bergson, por sua vez, nos ensina que a experiência de realidade só existe na medida que gera e é gerada do movimento, surgindo aí o que chamaremos de """"objeto- imagem"""". Assim, na origem da experiência do real -o grande tema da Filosofia - encontramos uma semelhança com a gênese da própria imagem cinematográfica. .Propomos então que, para além do clichê, a imagem constitui a potência criadora do pensamento: as ilusões que querem triunfar como verdade, o virtual que aspira se atualizar. É o que o cinema descobre, inicialmente, em Orson Welles e no neo-realismo italiano; é também o que se aprofunda e ganha novas formas nos autores que se seguem a esta descoberta. Autores cujos filmes analisamos, descobrindo como o cinema pode criar novos sentidos possíveis para a vida e para história à medida que desconstrói clichês, que quebra as """"imagens-leis"""", e que deixa de constituir histórias que aspiram a um """"grande fim"""". .Vemos, então, o cinema descobrindo que sua possibilidade mais radical é a de criar realidades possíveis; da mesma maneira que a Filosofia está descobrindo que a sua atividade mais fundamental é a de criar conceitos.