- Autor
- Ricardo de Sá
- Orientador(a)
- GUILHERME CASTELO BRANCO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
O conceito de sujeito na psicanálise é introduzido por Lacan como instrumento de sua releitura da obra freudiana. Para tematizar o sujeito, Lacan retoma o encaminhamento de Descartes na medida em que entende que o sujeito da psicanálise pressupõe o cogito cartesiano. A presente tese busca investigar como é possível retomar as Meditações de Descartes a partir dessa pressuposição lacaniana. Ora, esta já implica numa leitura do conceito de sujeito no cartesianismo e, portanto, não se identifica com uma interpretação canônica do texto de Descartes. Conseqüentemente, visa depurar a operação discursiva que possibilitou a Descartes introduzir o conceito de sujeito para a filosofia, com o intuito de analisar a operação que a psicanálise lacaniana efetuou sobre o sujeito cartesiano para subvertê-lo. Esta subversão do conceito de sujeito operada pela psicanálise, incide sobre a relação do saber e do ato, posto que ela nos conduz a ter que repensar o que autoriza o sujeito em seu ato. Por fim, a título de conclusão vimos que se a clínica psicanalítica demonstra que o sujeito, pela falta de um lugar estabelecido no campo do significante, não tem como se garantir a partir de um saber constituído, ela situa o saber que o sujeito desconhece saber como a causa de seu ato, ou seja, a psicanálise oferece as condições para que o sujeito venha a se autorizar de um saber inconsciente no exercício de seu ato.
