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Colonialismo, liberalismo e as políticas de inimizade: algumas compreensões de Achille Mbembe

Tarciano Silva Batista

Autor
Tarciano Silva Batista
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 1
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i1p51-63
Páginas
51-63
Idioma
pt-BR
2025Tarciano Silva Batista. Colonialismo, liberalismo e as políticas de inimizade: algumas compreensões de Achille Mbembe. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 1, p. 51-63, 2025.2

O presente trabalho, fruto de uma análise bibliográfica, crítica e interpretativa, busca compreender como o filósofo Achille Mbembe desvela, com acuidade, a persistência das estruturas coloniais de dominação incrustadas no cerne do liberalismo ocidental e em suas políticas da inimizade. Pretende-se investigar como o autor evidencia a invenção de uma raça, mobilizada como dispositivo linguístico a partir de ideais burgueses, como os de liberdade e democracia, mas que, paradoxalmente, configuram realidades de opressão que ocultaram e perpetuaram sua dominação econômica, social e política. Diante disso, o objetivo é compreender de que maneira sua análise exige uma reavaliação crítica dessas contradições, destacando a necessidade premente de se alcançar uma política do vivente que reorganize as relações humanas com base em um pensamento mais global e maior disposição ao reconhecimento ético. A hipótese a ser considerada é a de que, para que tal realização seja possível, é necessário superar os discursos racistas construídos a partir das declarações normativas de direito no âmbito do Ocidente, enfrentando, de maneira eficaz, as heranças coloniais e as práticas contemporâneas de exclusão e violência institucionalizadas–movimentoque torna esta abordagem não apenas política, mas, sobretudo, filosófica