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Comparação, igualdade e amor-próprio

Nicole Martinazzo

Autor
Nicole Martinazzo
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 1
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i1p12-24
Páginas
12-24
Idioma
pt-BR
2025Nicole Martinazzo. Comparação, igualdade e amor-próprio. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 1, p. 12-24, 2025.3

O presente artigo tem por objetivo analisar a predisposição para a humanidade, uma das três predisposições para o bem apresentadas por Kant na Religião nos limites da simples razão. A predisposição para a humanidade é descrita como um amor de si “que compara (para o que se exige razão)” (RGV 6: 27). Embora haja, nessa formulação, uma inspiração fortemente rousseauísta, partirei de uma aproximação entre ela e o amor-próprio de Rousseau. Salta aos olhos, nessa aproximação, que a predisposição para a humanidade é uma comparação que coloca a igualdade como ideal normativo na relação com o outro. Com isso, é possível abrir um caminho interpretativo para que ela seja considerada propriamente uma predisposição para o bem (no sentido de fomentar o cumprimento da lei moral).