- Autor
- Davi Heckert César Bastos
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 12 / 31
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2020.v12n31.p172-185
- Páginas
- 172-185
- Idioma
- pt
Através de uma análise do diálogo Mênon de Platão, identifico e estabeleço regras argumentativas gerais (úteis tanto a cientistas como filósofos) acerca do uso de definições. Mostro como o personagem Sócrates no diálogo estabelece exigências fortes para o conhecimento em geral, a saber, que o conhecimento da definição de algo deve ser anterior ao conhecimento de propriedades ou instâncias desse algo. Essas exigências de Sócrates e o modo como ele caracteriza uma definição (coextensiva ao definiendum, não circular, verdadeira e explanatoriamente relevante) levam Mênon a uma situação de impasse e a enunciar a Aporia do Mênon sobre a impossibilidade de buscar conhecimentos. Isso ocorre apenas pois Mênon é incapaz de identificar a jogada dialética de Sócrates: exigências fortes para o conhecimento de uma definição, a prioridade da definição, e o não reconhecimento de uma forma de conhecimento distinta do conhecimento por contato ou familiaridade. Em seguida, Sócrates prossegue a discussão no diálogo utilizando-se de hipóteses para mapear as condições nas quais a verdade ou falsidade das teses elencadas seriam o caso. Explico detidamente o que são a Aporia do Mênon, a definição socrática e o Método das Hipóteses, de modo a extrair princípios de raciocínio gerais úteis ainda hoje de um texto clássico da história da filosofia.
