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CONSCIÊNCIA E CORPO COMO MEMÓRIA. SUBJEITIVDADE, ATENÇÃO E VIDA À LUZ DA FILOSOFIA DA DURAÇÃO

DÉBORA CRISTINA MORATO PINTO

Tese
Autor
DÉBORA CRISTINA MORATO PINTO
Orientador(a)
FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000DÉBORA CRISTINA MORATO PINTO. CONSCIÊNCIA E CORPO COMO MEMÓRIA. SUBJEITIVDADE, ATENÇÃO E VIDA À LUZ DA FILOSOFIA DA DURAÇÃO. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA.3

Este trabalho tem como objetivo analisar a teoria da memória desenvolvida por Henri Bergson na sua segunda grande obra, o livro Matière et Mémoire - Essai sur la relation du corps à l'esprit. Esta análise parte do pressuposto de que a teoria da memória consiste num momento privilegiado da filosofia bergsoniana para a apreensão da sua idéia diretriz - a duração. A tarefa a se realizar pode ser identificada à explicitação deste pressuposto e ao esclarecimento da passagem da psicologia à ontologia: o estudo da memória, ampliado pela abordagem da atenção ou do reconhecimento atento, configura a relação especial entre uma teoria do conhecimento de âmbito psicológico e uma teoria da vida que é ontologia, uma vez que a relação entre Ser e Durar fundamenta a análise da consciência efetivada em Matière et Mémoire e, ao mesmo tempo, é esclarecida por ela. Desta forma, se a filosofia bergsoniana engendra um novo evolucionismo cuja exploração cabe à L'Évolution Créatrice, isto se dá através da determinação do funcionamento do espírito humano para a prática, isto é, na análise da consciência individual ou da subjetividade pelo estudo da representação consciente cujo centro é a teoria memória. O trabalho aqui desenvolvido vem mostrar, portanto, no estudo deste funcionamento a pedra de toque da filosofia da duração, ao evidenciar nos processos psicológicos a determinação do corpo e da consciência como memória - do corpo como organização incessante de movimentos e da consciência como construção ininterrupta de uma história subjetiva. A análise da consciência expõe também a maneira inovadora pela qual Bergson recolocou e solucionou um problema filosófico tradicional, o da união entre alma e corpo num sujeito individual, união que se efetiva a cada ato perceptivo pelo qual ele apreende, enriquece e oferece novas significações para o mundo. A relação entre psicologia e ontologia, esclarecida pela abordagem desta união, está ancorada a determinação da memória como duração criadora que, ao exercer-se no mundo, possibilita uma evolução vital igualmente criadora.