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CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EPOCHÉ EM MONTAIGNE E DO FREIE GEISTER EM NIETZSCHE

Nelson Maria Brechó da Silva

Autor
Nelson Maria Brechó da Silva
Revista
Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
Edição
1 / 01
Ano
2009
DOI
10.36311/1984-8900.2009.v1n01.4293
Páginas
68-88
Idioma
pt
2009Nelson Maria Brechó da Silva. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA EPOCHÉ EM MONTAIGNE E DO FREIE GEISTER EM NIETZSCHE. Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia, v. 1, n. 01, p. 68-88, 2009.3

O presente trabalho pretende situar o conceito epoché, suspensão do juízo, de Montaigne a partir de sua amizade com La Boétie. Após a morte do amigo, Montaigne termina de redigir a seção sobre a amizade, na qual enfoca a metáfora do pintor. Trata-se, então, da pintura do “eu”, de forma que o livro procura sanar a falta do amigo. As partes do “eu” são pintadas de modo ilógico, o que, no caso, conduz Montaigne a uma pintura constante delas. Quanto a Nietzsche, o eixo da reflexão tange o estágio de Freie Geister, espírito livre, que também é uma suspensão, a qual, diferentemente de Montaigne, atinge-se por meio da solidão. Este estágio instiga o indivíduo, a tal ponto de ver as culturas não por seus valores, mas por perspectivas. O girar errante se constituirá através da mudança e da passagem a esse estágio, que gera a alegria, visto que não existe uma meta final. Assim, pode-se considerar que Montaigne parte da elevação e da descoberta do “eu” por intermédio da amizade, ao passo que Nietzsche principia também da elevação, no entanto, o rumo que ele adota é com relação à solidão, onde o espírito livre poderá deslumbrar as diferentes culturas.