- Autor
- Marcelo Ferreira Ribas
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 21 / 3
- Ano
- 2021
- DOI
- 10.31977/grirfi.v21i3.2405
- Páginas
- 174-188
- Idioma
- pt
A partir de uma concepção de filosofia que rompe com a tradição filosófica, Wittgenstein apresenta uma perspectiva de ser humano que supera a clássica dicotomia entre corpo e alma, legada pela Modernidade, ao pensa-lo como um todo integrado, uma unidade psicofísica. Esse entendimento é possível graças à compreensão de filosofia como atividade, e não como teoria. Em um primeiro momento, o filósofo compreendeu que essa atividade se resumia à análise lógica da linguagem; contudo, considerando a abordagem insuficiente para dissolver os problemas filosóficos, gradualmente passa a adotar a análise gramatical da linguagem ordinária, que se volta aos usos das expressões linguísticas, a fim de identificar as regras que orientam o uso das palavras com significado. E assim, atento às práticas linguísticas, entende que o ser humano não se encontra dividido em partes, mas, ao contrário, que corpo e alma constituem uma única realidade. O que é interno ao sujeito (a alma), torna-se visível pelo externo (o corpo) a partir de seu comportamento no mundo, e é assim que o ser humano pode ser compreendido segundo Wittgenstein. Considerando que a concepção wittgensteiniana de ser humano é desdobramento do seu conceito de filosofia, o artigo apresenta, primeiramente, o desenvolvimento da sua compreensão de filosofia para, em seguida, detalhar o conceito de ser humano que se constitui e se faz entender por meio da própria linguagem.
