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CORPO E POLÍTICA: UMA LEITURA SOBRE ELISABETH DA BOÊMIA

Tessa Moura Lacerda

Autor
Tessa Moura Lacerda
Revista
Revista Ideação
Edição
1 / 42
Ano
2020
DOI
10.13102/ideac.v1i42.5455
Páginas
141-154
Idioma
pt
2020Tessa Moura Lacerda. CORPO E POLÍTICA: UMA LEITURA SOBRE ELISABETH DA BOÊMIA. Revista Ideação, v. 1, n. 42, p. 141-154, 2020.1

Sou um corpo em meio a outros corpos. Descartes afirma isso na Sexta Meditação quando inicia a análise da sensação, visando demonstrar a existência dos corpos. O que são os outros corpos do ponto de vista de um sujeito de conhecimento? Aparentemente, o filósofo jamais pôde contemplar o aspecto político dessa consideração – sou um corpo em meio a outros corpos.               A Sexta Meditação demonstra a distinção radical entre alma e corpo e a união de fato entre alma e corpo no ser humano. Elisabeth da Boêmia, interlocutora de Descartes, é a primeira a apontar a contradição na letra da Sexta Meditação, do ponto de vista da interação entre alma e corpo. Elisabeth sugere que é mais fácil conceber a alma como material do que supor a influência real entre duas substâncias radicalmente distintas. Elisabeth teria uma concepção material da alma? O que o diálogo epistolar entre Elisabeth e Descartes mostra é a presença do corpo nas reflexões de Elisabeth, presença do corpo físico e do corpo político. Talvez Elisabeth entenda melhor do que Descartes o que é ser um corpo em meio a outros corpos.