- Autor
- Luciana Molina Queiroz
- Revista
- Artefilosofia
- Edição
- 15
- Ano
- 2020
- Páginas
- 336-349
- Idioma
- pt
Este texto se propõe a investigar a experiência estética contemporânea relacionada aos esportes a partir da obra “Ensaio da beleza atlética”, de Hans Ulrich Gumbrecht e do ensaio “Federer como experiência religiosa”, de David Foster Wallace. Separados por apenas um ano, ambos os textos se colocam questões similares sobre a natureza dessa experiência. O corpo tem importância não apenas do ponto de vista do esportista como também do ponto de vista do admirador de esportes. Tendo isso em vista, a análise dos textos em questão será articulada com a reflexão de ambos os autores sobre a mídia de massa e as mudanças trazidas por ela no que se refere à percepção de temporalidade e espacialidade. Uma das ideias mais originais de Gumbrecht se refere à dimensão de presença, cada vez mais deixada de lado com a valorização da tecnologia. Em seu livro “Nosso amplo presente”, Gumbrecht discute a percepção temporal e histórica contemporânea como capaz de nos dar a impressão de estarmos inseridos em uma eternidade contínua. David Foster Wallace foi um consumidor e crítico do entretenimento estadunidense. Foi, igualmente, tenista quando jovem e um dos maiores escritores estadunidenses contemporâneos. Em seu ensaio sobre o tenista suíço Roger Federer, ele está o tempo todo lembrando da drástica diferença entre assistir ao esporte em corpo presente e assisti-lo mediado pela televisão. Até que ponto essas análises dos esportes se entrelaçam com um importante diagnóstico de época acerca da experiência estética?
