- Autor
- Herik Oliveira
- Revista
- Artefilosofia
- Edição
- 19 / 37
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.69640/raf.v19i37.7354
- Idioma
- pt
A discussão fundamenta-se na análise do filme Dias perfeitos, dirigido por Wim Wenders (2023). Parte-se de resenhas e críticas sobre a obra que ou celebram nela a abertura à poética do cotidiano e da rotina ou a denunciam como escapismo, falsidade e fantasia elitista. Discute-se os limites do encantamento individual em uma cotidianidade alienada no âmbito da sociedade administrada, com o trabalho como vértice da organização da existência, incluindo do tempo livre. Defende-se a proposição de que a recepção do filme, dividida entre celebração e recusa, reflete, de modo cindido, a oscilação entre resistência e adaptação característica de um traço estético que estaria no cerne dessa obra, a saber, a “estética clown” (SILVA, 2017). Para isso, são evidenciados elementos dessa estética em Dias perfeitos. A reflexão ampara-se em contribuições teóricas de T. W. Adorno, M. Horkheimer, H. Marcuse, W. Benjamin, e outros referenciais críticos, como A. Heller e G. Lukács.
