Cozinha e Gramática: o problema da vontade na fase intermediária de Wittgenstein
Base Filosófica
- Revista
- Cadernos de História e Filosofia da Ciência
- Edição
- 14 / 2
- Ano
- 2017
- Páginas
- 28
- Idioma
- pt
A fim de obtermos uma visão clara da trajetória conceitual pela qual se fez conduzir nosso autor desde a Teoria da Figuração tractariana até a concepção de uma “Terapia Gramatical” nas Investigações Filosóficas, julgamos ser de primeira importância podermos distinguir as várias táticas testadas por Wittgenstein, no tratamento de uma série articulada de conceitos, ao longo do seu caminho reflexivo durante a chamada ‘Fase Intermediária’. Pomos à prova este juízo focalizando um conceito específico, o de vontade ou arbítrio (Willkür) e, após mostrarmos o modo como ele está presente nas Investigações (item 2) em contraste com o Tractatus (item 3), voltamo-nos para três momentos distintos da Fase Intermediária (1928-35) relacionados à chamada ‘fase do cálculo’ (item 4), para caracterizarmos os tratamentos aí dados ao mesmo problema. Examinando primeiro a Conferência sobre Ética e Some Remarks on Logical Form (item 4.1), as Philosophiche Bemerkungen (item 4.2) e finalmente o Big Typescript (item 4.3), focalizamos neste último texto a comparação aí promovida para elucidar a noção de arbitrariedade e de autonomia dos sistemas de cálculo, entre Cozinha e Gramática, tratamento este cujo sentido nos parece distinto do oferecido na fase final. Procuramos com isso a possibilidade de marcar a especificidade da concepção wittgensteiniana da Autonomia da Gramática, e o sentido de seu ‘convencionalismo radical’, no momento futuro das Investigações. Palavras-chave: Wittgenstein -fase intermediária. Vontade. Autonomia da gramática.
