Criatividade em tempos de dispositivos neoliberais de vigilância digital — um estudo a partir de Foucault, Han e Winnicott.
Flávia Andrade Almeida
- Autor
- Flávia Andrade Almeida
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i1.5597
- Páginas
- 212-229
- Idioma
- pt
Boa parte das discussões sobre panoptismo digital é tributária de noções foucaultianas como as de panoptismo, vigilância e controle, que Foucault se dedicou a examinar ao tratar especificamente das tecnologias de poder disciplinar. O objetivo do presente artigo é examinar o panoptismo digital e a hiperexposição de si, compreendidas como características do ambiente virtual e seus possíveis efeitos na subjetividade. Para isto, consideramos o ambiente virtual e seu funcionamento enquanto parte do contexto neoliberal de governo de condutas. Percorremos, em um primeiro momento, as noções foucaultianas de panoptismo e confissão, bem como os estudos de Byung-Chul Han sobre o que chama sociedade da transparência. Em um segundo momento, examinamos os possíveis efeitos da hiperexposição na subjetividade utilizando como ferramenta de análise a teoria psicanalítica de Donald W. Winnicott. Foi possível constatar que o ambiente virtual tem funcionamento análogo ao da arte neoliberal de governar as subjetividades. Além disso, foi possível constatar que há, nas atuais formas de utilizar o ambiente virtual, um potencial de esgotamento e de prejuízos à saúde psíquica, levando em conta os prováveis prejuízos para a criatividade, conforme descrita por Winnicott.
