Crítica da religião e siste-ma em Kant: Um modelo de reconstrução racional do cristianismo
JAIR ANTÔNIO KRASSUSKI
- Autor
- JAIR ANTÔNIO KRASSUSKI
- Orientador(a)
- Draiton Gonzaga de Souza
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
Interpretar os conteúdos e princípios da religião como parte do sistema filosófico de Immanuel Kant implica retomar conceitos básicos de sua filosofia teórica e prática. Este estudo parte da hipótese de que tal unidade é defensável, sem cair no reducionismo da religião à moral ou considerá-la um apêndice desarticulado da obra kantiana. A presente tese tem como objetivo mostrar que a filosofia religiosa elaborada na Religião nos limites da simples razão (1794) fornece a chave de compreensão de temas centrais do sistema de Kant, na sua totalidade, a saber, a finitude humana, os limites da razão e a realização moral do indivíduo na comunidade moral. Esses temas referem-se à fé moral enquanto disposição prático-moral que possibilita a religião..Observa-se na construção argumentativa kantiana a tendência de resolver os problemas religiosos e teológicos associando-os à metafísica moral. A reconstrução racional do cristianismo que resulta desse procedimento, está em continuidade com a concepção crítica da metafísica e com as capacidades e possibilidades da razão, principalmente com os resultados da Terceira Crítica que desenvolve o conceito de finalidade e a idéia de um Sumo Bem articulador da Virtude perfeita e da Felicidade proporcional à virtude. Por outro lado, a religião está vinculada à moralidade e a sua fundamentação, apresentando-se como visão do mundo, orientadora das práticas e esperanças humanas de alcançar, mediante a fé religiosa, o fim final de todos os seus esforços. .Na posse de princípios necessários a priori, que orientam a razão, a crítica da religião adquire autonomia ao mesmo tempo que retoma os principais conteúdos e objetos da religião e os submete à razão. Uma compreensão totalizadora da religião, que a reduza às instituições histórico-temporais como objetivo imediato das ações religiosas, conduz ao fanatismo, ao autoritarismo e às formas ilusórias (dialéticas) na religião, como podemos observar no culto. Na análise do culto, a originalidade de Kant está em apresentá-lo inserido, positivamente, no sistema geral de crenças e ações religiosas, desde que manifeste, unicamente, a expressão incondicional da fé moral do sujeito. O culto serve para tornar o sujeito suscetível e aberto à lei moral, o que a religião pode fazer pela pregação, pela catequese e pelos exemplos bíblicos de moralidade e de ordenamento da vida a Deus enquanto Sumo Bem e Legislador Santo, que ordena o mundo segundo uma finalidade. É nesse sentido que Kant reconstrói racionalmente a doutrina do Cristianismo.
