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Teses

Crítica e teoria das crises

BENTO ITAMAR BORGES

Tese
Autor
BENTO ITAMAR BORGES
Orientador(a)
RODRIGO ANTÔNIO DE PAIVA DUARTE
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2000
2000BENTO ITAMAR BORGES. Crítica e teoria das crises. 2000. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, MG. Orientador(a): RODRIGO ANTÔNIO DE PAIVA DUARTE.2

A exposição de nosso trabalho obriga-se a um plano histórico, na medida em que, dentro da história da teoria crítica, identificamos três momentos da construção da teoria das crises. Os autores dessas teorias, que podem ser individualizadas como três casos distintos, embora interligados numa certa tradição, consideram-se, cada um a seu tempo, na vanguarda da ciência e da reflexão, e, em dois casos, o progresso da teoria é explicitamente associado ao progresso das forças de produção, e inclusive ao progresso dos meios técnicos. Todavia, da perspectiva de nossa tese, o progresso relativo de cada teoria das crises estará em questão, como estará em suspenso a idéia mesma de progresso. Assim, relativizam-se as consequências que se possam tirar do plano histórico da exposição. Além disso, pesa aqui, como em qualquer abordagem histórica, o critério do ponto de vista atual sobre a atualidade, pois, embora seja inegável que o capitalismo monopolista da Alemanha nacional-socialista era diferente do capitalismo liberal da época de Marx, não há grande consenso sobre o modo de produção sob o qual vivemos hoje. Cada teoria quer ser a verdade de sua época, mas Habermas sofre a desvantagem de teorizar - e de querer influir - sobre relações sociais e estruturas normativas ainda em desenvolvimento. De qualquer modo, estamos lidando com dificuldades relativas à periodização desses tipos de teoria, bem como à dificuldade igualmente séria da avaliação de uma esperada compatibilidade entre o desenvolvimento das forças de produção e o progresso teórico. Todavia, não se foge desses problemas através da mera averiguação empírica do sucesso de um ou outro tipo de desenvolvimento; antes de mais nada, os conceitos mesmos de progresso e crise implicam-se mutuamente, sendo ao mesmo tempo filosóficos e históricos, pois realizam-se no mundo - não apenas no mundo dos negócios. Em termos do programa alternativo habermasiano, podemos apelar para a indissociabilidade entre as teorias da racionalidade e da modernidade, pois o déficit epistemológico da teoria crítica da sociedade não se resolve estritamente com recursos da análise lógica ou epistemológica.

Palavras-chave: