Culpa e existência ? uma reto-mada dos indícios formais como ferramenta metodológica de M. Heidegger
JORGE ANTÔNIO TORRES MACHADO
- Autor
- JORGE ANTÔNIO TORRES MACHADO
- Orientador(a)
- Ernildo Jacob Stein
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
A presente tese investiga a constituição existencial do ser humano a partir de indícios de uma culpabilidade original. A partir da fenomenologia da faticidade dos anos 20, de Martin Heidegger, busca-se mostrar a possibilidade de uma antropologia filosófica construída de uma forma não objetivadora, como as ciências positivas e ontologias regionais, mas por indícios formais da finitude do Dasein. Heidegger propõe, com uma ferramenta fenomenológica denominada indícios formais, trabalhada pelo filósofo em Fenomenologia da vida religiosa (1921) e Fenomenologia e teologia (1927), que Deus não pode mais ser concebido como um ente objetivo, mas pelo acontecer do próprio homem que se preocupa com seu existir finito. Esses conceitos existenciais emergem na sua obra principal Ser e tempo (1927). Os conceitos de angústia e de cuidado (Sorge), este último derivado da cura agostiniana, são determinantes na conquista da propriedade ou não de si mesmo. A tese parte do princípio de que esses indícios encontrados por Heidegger na fenomenologia da religião e na teologia nos anos 20, podem ainda ser utilizados para mostrar a característica pré-teórica de uma culpa original do Dasein. O trabalho expõe a psicanálise como uma possível fonte desobjetivadora, capaz de fornecer indícios dessa condição humana. Dessa forma, o conceito ontológico-existencial de culpa pode corrigir interpretações objetivistas tanto das ciências positivas como de uma filosofia do tipo absolutista e universal. Embora a filosofia seja diferente das ciências, estas últimas podem fornecer elementos importantes para a construção de conceitos filosóficos.
