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De Rousseau a Montaigne ou o itinerário da melancolia

Diego Ramos Lanciote

Autor
Diego Ramos Lanciote
Revista
Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211]
Edição
5 / 11
Ano
2021
Idioma
pt-BR
2021Diego Ramos Lanciote. De Rousseau a Montaigne ou o itinerário da melancolia. Modernos & Contemporâneos - International Journal of Philosophy [issn 2595-1211], v. 5, n. 11, 2021.1

No momento em que publicava Histoire de Lynx, Lévi-Strauss declarou que aí se tratava de sua última obra consagrada à mitologia americana e, igualmente, às questões especificamente etnológicas. O livro situa-se, então, nos arredores de La Potière jalouse com o título de suplemento à grande tetralogia lévi-straussiana que são as Mythologiques… Todavia, ironia das coisas, essa segunda e última parte aparece, à primeira vista, como que tomando o contra-pé do primeiro em cada um de seus registros comuns. No que concerne à revelação estrutural (o evidenciar de estruturas míticas que - recordemos aqui, se preciso - são objetos puramente abstratos, consequentemente, virtualmente incaptáveis), La Potière atrelava-se principalmente a uma só dentre elas, a ocorrência daquela que, à escala da América, remete à imagem de um mundo em camadas. Histoire de Lynx, contrariamente, interessa-se acima de tudo à mitologia de uma região restrita, a costa Noroeste e seu interior. Todo o argumento procede de um encaixe de estruturas míticas distintas cuja única mais englobante, que concerne à impossível gemeralidade, possui uma indiscutível dimensão pan-americana.