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Desigualdades pós-coloniais no processo de desdemocratização global

Luciana Ballestrin

Autor
Luciana Ballestrin
Revista
Revista Dissertatio de Filosofia
Ano
2023
DOI
10.15210/dissertatio.vi.24820
Páginas
95-121
Idioma
pt
2023Luciana Ballestrin. Desigualdades pós-coloniais no processo de desdemocratização global. Revista Dissertatio de Filosofia, p. 95-121, 2023.1

Pelo menos de 2016, o diagnóstico da crise das democracias liberais tem sido difundido no debate acadêmico e público, principalmente após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais do Estados Unidos e o referendo pela saída do Reino Unido da União Europeia. A característica apontada pela literatura especializada como distintiva da crise atual em relação a outros momentos históricos do século XX, diz respeito ao meio através do qual as democracias retrocedem, isto é, um meio aparentemente democrático – institucional, procedimental e legal –, com a participação de representantes, elites e/ou instituições parlamentares, jurídicas e judiciais. Igualmente notável tem sido expressivo apoio popular a propostas e discursos antidemocráticos no contexto de radicalização e crescimento da extrema-direita. O presente artigo questiona a ausência do Sul global nesse debate contemporâneo, demonstrando um enquadramento anglo-eurocêntrico que ignora a relevância das experiências atuais de ruptura das democracias fora do eixo exemplar. Posteriormente, argumenta-se pela importância da incorporação da dimensão da globalidade e das desigualdades pós-coloniais para analisar os processos de desdemocratização em geral e no Sul global em particular. Ao partir da tensão entre pós-colonialismo e democracia, a última seção indica a possibilidade de trabalhar as teorias póscolonial e democrática em chave complementar também em um sentido normativo.