Determinação versus subjetividade: apropriação e ultrapassagem do estruturalismo pela psicanálise lacaniana
Léa Silveira Sales
- Autor
- Léa Silveira Sales
- Orientador(a)
- Richard Theisen Simanke
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2007
É comum encontrarmos na bibliografia relativa tanto à psicanálise lacaniana quanto à.história das idéias na França da segunda metade do século XX a indicação de Jacques.Lacan como uma das figuras mais representativas de uma certa forma de pensar que se.convencionou chamar, retroativamente, de """"estruturalismo"""" e que teve uma de suas.origens nas investigações e propostas antropológicas de Claude Lévi-Strauss. A.presente pesquisa busca, em um primeiro momento, analisar, além da pertinência de tal.indicação, as linhas de força e o movimento teórico mais profundo nela envolvidos..Dito de outro modo, ela levanta inicialmente a seguinte questão: se Lacan de fato sofreu.sobremaneira a influência da antropologia estrutural, a que, exatamente, isso pode ser.creditado? A quais inquietações teóricas a referência à estrutura é suposta responder em.psicanálise? Como ela se inseriu em uma démarche que já havia tomado alguma forma.no seio de projetos direcionados à psiquiatria e à psicologia? Em seguida, o trabalho se.volta para as tarefas herdadas com esse diálogo, procurando analisar as redescrições.lacanianas de processos próprios à psicanálise (Édipo, psicose e desejo, por exemplo),.bem como algumas indagações filosóficas que delas se depreendem, tais como as.concepções de verdade e realidade e o problema da presença de uma ontologia. A.continuidade da investigação se impôs com os resultados até aí obtidos. Pois dialogar.com a estrutura exige da psicanálise que o faz a colocação da pergunta pelo sujeito. Sua.formulação, já célebre, traz os seguintes termos: uma vez tenha-se assumido que o.inconsciente é estruturado como uma linguagem, o que pode ser o sujeito? É a.confrontação – até as últimas conseqüências – com essa questão que, por sua vez,.constrange o psicanalista a encaminhar uma certa ultrapassagem da estrutura que,.naturalmente, não corresponde a seu abandono, mas à sua abertura, então expressa na.noção de significante de uma falta no Outro. Ver-se-á em que sentido o surgimento, na.teoria, do objeto a – operador central da psicanálise lacaniana – não é alheio a tal.percurso.
