- Autor
- Flávio Valentim de Oliveira
- Revista
- Revista Limiar
- Edição
- 10 / 19
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.34024/limiar.2023.v10.15533
- Páginas
- 129-146
- Idioma
- pt
Em O Nascimento da tragédia observamos os perigos que a arte trágica de Sófocles, Ésquilo e a filosofia de Heráclito enfrentaram diante do risco de toda cultura ser transformada em caricatura. Um desses riscos é o constante aparecimento da caricatura do símio. Na arte trágica o símio estava relacionado ao risível, ao embusteiro, as trapaças eruditas e as culturas superficiais. Por sua vez, os gregos antigos valorizavam Dionísio pelo seu valor agonístico, aprendiam a transfigurar as forças da natureza – inclusive as mais duras e cruéis – em jovialidade cultural. Este artigo analisa a oposição entre as figuras de Dionísio e do símio, em especial este último como um personagem do entrave cultural no mundo antigo e sua presença em nossa época como figura extremista. Numa leitura mais ampliada dessa problemática, o próprio Sócrates seria um desses símios com desdobramentos na cultura burguesa.
